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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Duas Cruzes - Jayme Caetano Braun (Poema)



Um era um taura e se perdeu por taura,
outro era maula e se perdeu por maula,
quebras demais para viver em jaula,
com muita raça pra esconder a cara.

Dois irmãos gêmeos, um igual ao outro,
de olhares gêmeos com fulgor de auroras,
mais parecidos que um par de esporas
num par de botas de garrão de potro.

O pai, um tigre que a branquear ficara,
entre ossamentas, num tendal de guerra,
a mãe chirua com sabor de terra,
o lar, um rancho, santa-fé e taquara!

Um era maula, mesmo sendo taura
outro era taura mas não era maula,
mas não nasceram pra viver em jaula
e nem tampouco pra esconder a cara.

Por isso um dia, quando o comissário
chegou no rancho pra prender o maula
achou dois tigres numa mesma jaula
junto à mãe velha, deusa do santuário.

Saltaram fora, pra livrar das balas,
a mãe querida que os amamentara,
caiu morrendo, junto à porta, o taura,
caiu já morto, logo adiante o maula!

De toda a parte vinham fogonaços
e os dois ficaram mais iguais na morte
pois mesmo tigres pra enfrentar a sorte
não tinham breves pra atacar balaços!

Do par de tauras que tombou na luta,
restou somente, sem fulgor de auroras,
mais parecidas do que um par de esporas,
um par de cruzes, de madeira bruta!

Por isso à noite – nunca faltam luzes,
defronte ao rancho onde a saudade habita.
É a mãe dos gêmeos que ficou solita
e acende velas, pra velar as cruzes!


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