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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Poeta e o Pajador - Balbino Marques da Rocha (Poema)


A alma do payador
nasce da terra sem trato,
é o verso rude e barato
de um Pobre frente ao rigor.
É uma mensagem de amor 
do poeta bruto, sem tática,
sem pontuação nem gramática,
sem norma, é a poesia crua,
é o rastreio do charrua
sobre um trilho de capincho,
é o arrepio de um relincho
na noite escura e sem lua.

É o puma que mostra o vulto 
no ramalhar da folhagem;...
é a mística pabulagem
da arenga de um índio inculto.
É o berro no descampado,...
é um negro velho acordado,...
é o sereno respingado,
e a neblina da manhã
no toso de uma tropilha,...
na copa do corunilha
e no troco do tarumã.

Não confundam payador
com poeta de gabinete:
um faz métrica pensada,
é gado manso em aguada,
é freio em vez de bocal;
outro, trança no momento
e reponta no pensamento,
formando o verso bagual!

O payador é o peão,
que sai pro campo sozinho;
se leva, leva um cusquinho
pras horas de precisão...
O outro sai escoltado,
é dono bem aperado
num cavalo de patrão.

Um traz o peito sereno,
já sabe o fim da canção.
O outro a cabeça é um vulcão:

estica a idéia e a rima, 
tinido de corda prima
na carcaça do violão;
é tropel do verso bruto
que esfarela o cocuruto,
estalo de taquaral,
que relincha cadenciado,
como eguada disparando
no meio de um banhadal.

Um anda em cavalo manso,
outro em potro e redomão;
um traz o fogo pegado
em folha seca e carvão...
outro é tronco de aroeira,
graveto grosso molhado;
um é fogo de lareira,
outro é fogo de galpão.

Nem lhe tenha indiferença...
o verso é um mal de nascença
e vem mesmo que uma tara.
É pêlo em cavalo e touro,
por isso é que um nasce mouro
e outro nasce malacara!

É sarna em cusco sem dono,
faz parte de um jogo eterno,
vem no verão e no inverno,
na primavera e no outono...
vem na vida com ais sorte
na boca de um payador
e renasce depois da morte
na boca de outro canto.



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