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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Outra Charla - Vargas Neto (Poema)


Alcance os avios de fogo...
quero prender o meu pito.
Pois é assim, como eu ia lhe dizendo, patrãozito,
é sempre o mesmo jogo...
- Está o isqueiro... 

- mas, como eu ia dizer:...
qualquer povoeiro desses cara de idiota,
que nunca tomou sol num lombo de coxilha,
vem com uma lengalenga
e uma porção de lorotas
a dizer que não há mais gaúcho,
que os gaúchos foram nossos avós, nossos pais...
que o verdadeiro não existe mais.

Pura peta! 
Que vão saber esses trompetas
que nunca se meteram em pendenga,
nem sabem quando um sol avisa seca,
não agüentam um pulo de bagual,
não conhecem o vento que traz chuva
nem qual é o pasto que faz mal?

O gaúcho sempre há de viver
enquanto o Rio Grande não morrer.
Em campo fino, o potrilho é mais lindo,
tem mais quartos e encontro,
anda sempre esc’ramuçando
e tem o pelo reluzindo.

É que a invernada é pura campo-flor.
O rebanho que pasta em terra negra,
a lã tem mais valor.
E o Rio Grande... é campo bom.

Em 35, o gaúcho mostrou o que ele valia.
Agüentou o tirão.
93 chegou... Quanto gaúcho apareceu,
e deu rinha, e morreu como ninguém pensou.

E diziam sempre: - o gaúcho se acabou.

Veio 23... e o que o gaúcho fez?
Quanto caboclo bicharedo
chegava rindo como num brinquedo
e entreverava na peleia
como quem entra num bochincho.

Não, senhor! A coisa esteve feia...
Quanto gaúcho deixou prenda no seu pago
e foi assoviando pra coxilha
e morreu a sorrir no entrevero
como quem chupa um amargo 
ou toma um trago.

Em 24, o mesmo se passou,
o rodeio era geral, 
mas só o gaúcho é que parou.

E quer saber por que é? 
- Está na massa do sangue desse povo. 
Porque o gaúcho é como o cinamomo –
duma ponta da raiz brota de novo
e outro cinamomo ficará de pé.

Não acaba, não, senhor. 
Há de sempre viver lindo e sestroso...
nem o tempo há de vencê-lo!

Um gaúcho se mata e não se vence.
Mas ele é mesmo que o capim teimoso –
se a geada mata no inverno,
na primavera volta muito mais viçoso.



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