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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Romance do Guerreiro Perdido e Extraviado - Aureliano de Figueiredo Pinto (Poema)


Se fores para as coxilhas
nos bandos do “Maltrapilho”,
não contarás mais comigo...

E o moço, de madrugada, 
encilhou o pingo e se foi
procurando o seu caudilho.

Incorporou no esquadrão bem montado,
esse que vinha fazendo a crespa vanguarda;
e, em cargas e rechaçadas,
em triunfos e retiradas
e em guerrilhas bem peleadas,
fez nome de guapo e bueno:

quando as “Otequiz” cantavam
e os mosquetões assoviam,
e os tauras entreveravam,
era um gaúcho sereno.

Uma noite, sobre a linha,
noite de inverno gelado,
os inimigos se vieram.
E a gente do seu caudilho
sofreu tremendo revés.

A maioria se foi,
entrando Oriental adentro,
com muita gente ferida,
com tanta gente de a pé.

Nos dias que se seguiram,
houve buscas e pesquisas
procurando os companheiros
e enterrando os que morreram.

Do tal mocito valente
nem notícias mais se soube:
- tombaria no Brasil?
- cairia na Oriental?
- ou morto como animal
nalguma furna ou cerrito?
- ou ferido e, em rancho ou estância,
sarando pelos cuidados 
da paisanita gentil?

Dez anos passaram longos
na casa do rincãozito,
onde dois velhos de luto
sofriam cangas de bronze
das lentas horas passando...

O pobre que fora à guerra
sem sequer tomar bênção,
só a velhita louqueava
que ele pudesse voltar.

Uma tarde... uma tarde um gauchão
com quatro pingos por diante
veio tranqueando direito à casita do rincão.
Os quatro pingos gordachos,
mais finos que parelheiros,
retesaram as orelhas
quando os cachorros acuaram.

E o velho ralhou na frente da morada,... um taperão. 
O andante apiou no palanque
e foi chegando pras brasas,
a cuja frente os velhitos,
com olhos como corujas,
curiosavam o viajeiro.

Perto do velho casal,
sacou o andante o sombreiro,
falou com a voz do outro tempo,
quando partira folheiro 
pra aquela revolução.

E os velhos, largando o pranto,
lhe passaram, no pescoço,
os quatro braços, mais fortes 
do que sovéus bem torcidos
pra sujeitar um gavião.



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