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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sempre Farroupilha - João Sampaio, Silvestre Araújo e Elton Saldanha (Poema)


Está de volta a bandeira
As três cores da minha pátria
O povo do sul idolatra
O pendão destas coxilhas
Quando uma gana me enforquilha
Vou engraxando os arreios
Se formou um tempo feio com os mesmos calaveiras
Por isso eu sigo essa bandeira
No sol dos livres onde ela brilha
Meu parador,
meu parador  é um rancho de barro
erguido a beira da sanga
Rodeado de sina-sina, guajuvira, chapecanga
Onde os recuerdos da guerra voltam que nem boi de canga
E nos 20 de setembro se retempera minha raça
E a chama dos farroupilhas me ilumina a carcaça
Pode passar mais 100 anos que a nossa glória não passa
Pois bordamos nossas divisas sempre abaixo de fumaça
Este meu pangaré longo de cerne
Foi presente dum carroceiro
Tapado de mosca e sarna é mais que meu companheiro
Basteriado, e às vezes manco relinchando no potreiro
Mas fica de orelha em pé quando escuta um entrevero
Tem uma mancha no beiço e coiceiro que é uma praga
Tem o nome de farrapo e por uns pila é uma adaga
Mas o que eu faço com este cavalo nem o dinheiro me paga
Oigalê matungo feio, lindo pra entrar num bochincho
Veiaco, passarinheiro, crinudo meio culincho
Dou-lhe um banho e deixo lindo que nem ovo de pelincho
E saímo campo afora eu cantando e ele aos relincho
Lembro os primeiros galopes, credo em cruz que quase morro
Vinha distorcendo um basto no meio de uns dez cachorros
E eu atravessando o maula
Na guerra nós dava aula, roncando que nem besouro
Depois no meio da indiada a risada era comum
Quando na taipa do assunto o desgramado igual mussum
Só pra me deixar nas mágoa se sampou comigo n’água
que chegou a fazer tchum-bum
Encilho bem no capricho pra desfilar nem sei quando
Nas vila, pela cidade, faceiro se atravessando
Se destapa uma garrucha boca seca escaramuça
bem lá na frente do mango
Neste mundão desigual eu já quebrei muito queixo
Vivi que nem farroupilha, morro pobre, pouco deixo
Minha vida é no corredor, puxando bagual no trecho
Quando dão o primeiro tufo sei o resto do desfecho
Pala reilhudo sem gola, meu facão de meia folha e um mango sortera grossa pra encher o maula de bolha
Depois de eu estar em riba pode me sampar na urtiga que aí, aí não tem mais escolha
Eu peço ao patrão do céu que o meu pangaré não manque
Quando eu cruzar retoçando bem na frente do palanque,
vou campear uma ventana
O Adelastro cozinha e tanque e que na garupa do matungo nem o penteado desmanche
E se não for uma Anita que seja uma Papagaia, farrapa veia de saia pra aconchegar o teatino
Pra nós dois cantar os hino e junto rondar a chama, bailar grudado na grama, mas isto é um sonho qualquer
Porque um pelego sem mulher é um coração que não ama
Meu pangaré no palanque se ajoelha vendo as percantas, esporeio nas virilha enquanto miro uma santa
Nós somos dois farroupilhas, campeando guerra e bailanta
Enquanto ele relincha de longe tô vendo a quincha da farrapa que me encanta
De à cavalo campeio a deixa o mal me quebra na guampa
Me despacho pra um surungo quero ver levar um pialo de pescocear no gargalo sem ter pose de senhora
Porque essas donas de agora querem rancho, calmaria
E eu só tenho as ventanias do lombo do meu cavalo
Não me venham com pilcha cola fina porque minha estampa é macha
E um ginete do Rio Grande deve nascer de bombacha sobre o tempo do planchaço
Às vezes é no vai do racha e eu só tiro pra bailar moçoilas que eu não me facho
Talvez assim por ser pobre meu recal são puro caco
Mas pra mim é de valia as honrarias e os trapos, pois a lutar contra os monarca, os de riba, a realeza
Me arrastar pras tarimbas de pelego, perdoe-me as princesas
Ando com uma lança farrapa, enristada na minha alma
E quando o sangue borbulha só uma peleia me salva
Sonho que tô na batalha e a prenda me beija e me acalma
Acordo, vou cevar um mate cantando pra estrela D’Alva
Não baixo a crista pra macho, nem que eu vá pros bebeléu
Com um beiçudo chucro eu me entendo e saímo de boléu
Por mim que voe pra riba, fico mais perto do céu
Sou descendente de Bento, e só pra Deus tiro o chapéu
Eu só quero um sol de ouro e meia lua de prata
Sou campechano, sou livre, nas três cores da minha pátria
Eu nasci solto de pata e nesta doutrina sou crente
Da prenda, do pingo e o sul, e essa bandeira é a minha cruz
Sou farroupilha pra sempre!

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