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quarta-feira, 28 de abril de 2010

LUTO - Morre Jader Moreci Teixeira "Leonardo"

É com muito pesar que o Tradicionalismo sem Fronteiras informa que morreu um taura da mais alta estirpe. Estou falando de Jader Moreci Teixeira, o nosso grande Leonardo. E como o chasque demorou pra chegar lá do Rio Grande, chegou a poucos dias aqui na redação. Ele morreu no dia 7 de março de 2010 e, com certeza, vai deixar muitas saudades.
O Tradicionalismo sem Fronteiras presta uma homenagem a esse que era um verdadeiro nativo cantador. Agora deve estar se banhando nas fontes e olhando horizontes com Deus, pois o tempo de andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão e ter os pé roseteados de campo já se foi. Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par já não é mais possível, mas com certeza muitos ainda cantarão seus versos e que as cantigas nativas continuarão vivas para os filhos do Rio Grande amado. Abaixo veja vídeos de Leonardo e um texto especial de Antônio Augusto Fagundes.


Leonardo e Jader

Uma homenagem ao cantor gaúcho Leonardo, morto neste domingo

Eram dois, aparentemente muito distintos, mas eram o mesmo gaúcho. O primeiro a surgir foi o Jader Moreci Teixeira, em Bagé, de uma família muito pobre. O menino Jader passou muito trabalho, praticamente não teve pai, mas sempre foi muito apegado à mãe, que tratou de ajudar desde que, guri ainda, começou a ganhar uns pilas.

O Jader sempre gostou de música, sentia que havia algo dentro dele, uma força espiritual que um dia haveria de brotar. Adolescente, meteu-se no mundo do circo, onde a sua irresistível veia humorística arrancava gargalhadas como o palhaço Zé Sabugo. Terminou em Porto Alegre, claro. Sua premente vocação musical levou à rádio Itaí, onde fez grandes amigos e onde assumiu o violão definitivamente. Ali conheceu Nelson Souza, o Xará, o Timbaúva e muita gente mais, inclusive um cantor chamado Leopoldo, de Osório, de quem recebeu um convite para formar uma dupla sertaneja. Para dar nome sonoro à nova dupla, o Jader inventou para o seu eu artístico o nome de Leonardo: Leopoldo e Leonardo. Foi então que começaram a coexistir o Jader Moreci Teixeira e o seu alter ego Leonardo, uma dupla vida de sucesso que só a morte interrompeu no último dia 7.

Jader Moreci Teixeira era sério e responsável, amigo de seus amigos, carinhoso com a mãe, foi casado duas vezes e deixou um filho e dois netos. Muito humano e solidário, com o tempo tornou-se espiritualista e maçom e foi fascinado pelo Reiki. Era homem de gestos humanos muito largos, alguns dos quais me comoveram profundamente. O dinheiro que Leonardo ganhava com facilidade o Jader desperdiçava com a mesma facilidade...

Quantas canções do Leonardo foram gravadas?

O Teixeirinha, o Bruno Neher, o Leonir e o Leonardo estão entre os recordistas em gravações como autores e intérpretes. Quer dizer, o Leonardo assegurava ao Jader uma vida cômoda, carros bons e uma bela casa aqui na entrada de Viamão.

Só no futebol amador o Jader não tinha a simpatia do Leonardo. Comandando um dos times da Agar, onde todos nós jogávamos em torneios e campeonatos internos, o Jader, que até não era mau atleta, em campo virava o pai dos murrinhas, a discutir com o Chico dos Mirins, o Albino Manique, o Elmo Neher e comigo. Era horrível! Foi um belo período das nossas vidas aquele da Agar, Associação Gaúcha dos Artistas Regionais.

Quando Leonardo deixava o Jader nos bastidores e subia aos palcos era um fascínio. O povo delirava e cantava com ele tudo: Céu, Sol, Sul, Terra e Cor, Tertúlia, Viva a Bombacha, O Homem do Pala Branco e por aí se vai. Ele adorava o público e era adorado por ele. Nos últimos tempos, teve o companheirismo e os cuidados do colega Heleno Gimenez, que foi o grande amigo da sua vida até os últimos momentos.

No último Natal, gravamos um Galpão Crioulo em Frederico Westphalen. Ali, na frente da Catedral, reuniu-se uma multidão incrível. Jamais vou esquecer o momento em que o Leonardo fez verdadeira profissão de fé cantando O Homem do Pala Branco. O Jader já apresentava sintomas da doença mas o Leonardo estava em plena glória...

Agora enterramos o Jader Moreci Teixeira, mas o Leonardo ficará conosco para sempre.

"Antônio Augusto (Nico) Fagundes"

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