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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um Natal sem Papai Noel - Antônio Augusto Fagundes (Texto)


Papai Noel é uma invenção do Presidente Woodrow Wilson, dos Estados Unidos - muito recente, portanto. É a adaptação ao gosto comercial norte-americano do São Nicolau europeu, inspirado remotamente no bispo de Kusa, que teria o hábito de distribuir presentes às crianças.
No Natal Gaúcho não há Papai Noel. Quem traz os presentes, como na Bíblia, é o terno de Reis Magos: Gaspar, Melchior e Baltasar, este negro. Antigamente, a festa da entrega dos presentes, na campanha, era no dia 6 de janeiro. Agora é que passou para o dia 25 de dezembro, data consagrada como sendo a do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Natal quer dizer nascimento, data de aniversário, portanto. E o Natal campeiro não dispensa o presépio, com a manjedoura e os bichinhos, além das figuras da Sagrada Família, dos Reis Magos e dos Pastores.
Os gaúchos de sangue alemão, nas comunidades teuto-riograndenses, ainda tem o pinheirinho (Tannembaum), o Pelznickel (uma figura assustadora, tipo urso) e o Cristhkindchen (Menininho Jesus), mas na realidade é uma moça vestida com um longo manto.
Entre os pelo-duros (luso-brasileiros) os teuto-riograndenses (descendentes de alemães), os ítalo-gaúchos (gringos) e os descendentes de poloneses há a tradição dos Ternos de Reis, que no ciclo natalino (de 24 de dezembro a 6 de janeiro) vão "de porta de porta, de rua em rua" cantando e tocando, saudando, conforme a data, o nascimento de Jesus, a virada do Ano Novo ou a visita dos Reis Magos.
Os pelo-duros cantam, ou "tiram Rêses" em dois eixos do folclore gaúcho: o Eixo Norte, de Porto Alegre a Torres e o Eixo Sul, esporadicamente em locais como São Francisco de Paula, Encruzilhada do Sul e Cachoeira do Sul, principalmente.
As vestes são normalmente as gauchescas de festa, mas alguns Ternos se vestem como reis magos e/ou pastores. Outros levam meninos assim vestidos, um deles portando um cometa, que representa a Estrela de Belém. Os instrumentos são a gaita, a viola ou violão, o tambor, a rabeca e o estribo.
Não muito longe no tempo, saía junto com os ternos do litoral norte (Tramandaí, Osório) um Terno de Bichos, que incluía o Boi, o Calalo-Marinho, a Cabrita, o Cervo, o Urso (tudo a versão gaúcha do Bumba-meu-boi) e um grupo de danças para a apresentação do Pau-de-fitas e a Jardineira – seis pares, onde o papel da mulher era desempenhado por moços travestidos e usando máscaras femininas. Claro: qual o pai que deixaria uma filha sair com o alegre bando que ia sair pelo mundo afora, cantando, bebendo, farreando...? Em passado recente o Boi saía também em Bagé (onde foi pintado por De Francesco) e em São Jerônimo e atualmente ainda sai em Encruzilhada do Sul, terra muito fértil em folclore.
Em Santo Antônio da Patrulha, no interior do município, há uma comunidade religiosa fortemente matriarcal, onde existe um Terno de Reis exclusivamente integrado por mulheres.
Os teuto-riograndenses também tem Ternos de Reis, que cantam em alemão ou em português, mas sua manifestação mais peculiar é o Terno de Atiradores (Sapiranga, Taquara), uns 30 homens que vão “de porta em porta, de rua em rua” mas apenas na noite de Ano Bom. Acompanhados de uma bandinha típica colonial alemã, eles chegam, o Sprucher (orador) fala ou diz uns versosm tudo muito engraçado, em alemão dialetal ou em um português arrevesado, saudando os moradores e dizendo a que vem. Depois, comandados por um apito, eles avançam e descarregam contra o chão os seus grandes bacamartes artesanais: os tiros são para “acordar o Nóia”, o Novo Ano. Alguns bacamartes chegam a carregar 200, 300 e mais gramas de pólvora! Entre os Atiradores há, pelo menos, um travesti (para simbolizar a mulher, já que nenhuma verdadeira se dispõe a acompanhar aqueles pândegos) um “negro” (na realidade um louro de cara pintada, para acentuar a integração com os brasileiros) e um palhaço (para simbolizar a alegria do ano que está chegando). Depois dos tiros, segue-se um animado baile, onde a “moça” é par disputado...
Nas comunidades ítalo-gaúchas (Bento Golçalves, Caxias do Sul) aparecem no ciclo natalino I Cantori della Stella, autêntico Terno de Reis que canta em italiano e tira o seu nome da estrela-guia, iluminada (antes, à vela, agora à pilha) que gira sobre um eixo fixo.
Entre os descendentes de poloneses (município de D. Feliciano) o Terno de Reis canta em polonês e no grupo figura sempre o Diabo, bem caracterizado, que ameaça comicamente o público.
Assim é o autêntico Natal gaúcho.
Que a cada Natal os galpões de CTG se fechem, fiquem às escuras com tudo preparado, com o presépio, os presentes, os comes e os bebes, até a cachorrada anunciar, acoando do lado de fora, que o Terno de Reis está chegando, com o Mestre e seu ajudante o canto:
“Agora mesmo chegamos, aí!
Agora mesmo chegamos, aí!
Na beira do seu terreiro, aí!.....

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