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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

De São Borja ao Batoví - César Oliveira (Música)


Eu fui piazito em muita tosa de manada

Juntando cerda e alcançando marca quente

Eu fui piazito num petiço enforquilado

Pelo banhado, retoçando nas enchentes

Eu me criei laçando boi e meia espalda

Campeando lida nas boconas me perdi

Buscando a volta ao tranco e ao trote calmo

Conheço a palmo do São Borja ao Batovi

Andei cruzando atalhos e corredores

Pra embalar o corpo numa bailanta encruada

Boleava a perna donde tivesse gaiteiro

E algum candeeiro que incendiasse a madrugada

Sou da fronteira, sou taura, sou peão de estância

E algum feitiço e deixou assim teatino

Peguei costume de gostar de china e canha

E tirar manha e balda de algum malino

Em carreiradas amadrinhei muita china

Em camperiadas apartei brigas de touro

De peito aberto repontei zebu da grota

Empurrei tropas nos encontros do meu mouro

Por ser guerreiro sempre fui madrinhador

Arrodiei muito fogo grande em noite fria

Mateando só esperava o arrebol

Pra ver o sol repontá as barras do dia

Queimei o lombo em sol quente de verão

Branquiei a crina nas cara-voltas das geadas

Enredei pêlos de pingo nas maritacas

Trompando vacas em banhos e paleteadas

De vez em quando meu coração se adelgaça

E as minhas ânsias matrereiam no meu peito

Talvez por isso eu ande cruzando estradas

Porque me agrada ter nascido deste jeito


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