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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Na Boca da Noite - César Oliveira (Música)


Na boca da noite costeando a picada

meu zaino que é um gato se para carancho

Bombeando distante pras bandas do poente

parece que sente o calor de algum rancho

Eu trago na estampa um jeito teatino

porque o destino quis que eu fosse andejo

E a noite serena chega e me provoca

campear a chinoca e roubar-lhe um beijo

Um ventito manso me alvorota o pala

então eu me aprumo e tapeio o chapéu

Enxergo teu corpo no clarão da lua

e os teus lindos olhos brilhando do céu

Eu sinto no peito um guascaço mui forte

inté acho que tenho coração de potro

Que bate ligeiro quando enxergo a flor

se é meu este amor não preciso de outro

A alma de um taura que vaga solito

se para mais quebra rumbiando pra o fim

E as ânsias que tenho acolherei

com a gana de ver a paisana que espera por mim

Já vejo a hora de encontrar minha linda

e dizer que trago entalado na goela

A felicidade que tanto preciso

achei no sorriso que deus deu pra ela

Que lindo seria se um dia eu pudesse

te erguer na garupa do meu zaino bueno

Talvez me perdesse no toque dos dedos

campiando os segredos de um corpo moreno

Mas numa volteada te levo comigo

pro posto do fundo da estância da barra

Pra ser minha dona e cuidar um ranchinho

e de um pichonzinho que herdará minhas garras

Na boca da noite


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